Você está em: 
20 - QUESTÕES INDÍGENAS E FONTES ORAIS: HISTÓRIA, ANTROPOLOGIA, EDUCAÇÃO E LINGUAGENS
ImprimirImprimir     
 

20 - QUESTÕES INDÍGENAS E FONTES ORAIS: HISTÓRIA, ANTROPOLOGIA, EDUCAÇÃO E LINGUAGENS

Coordenadores: ANNA MARIA RIBEIRO FERNANDES MOREIRA DA COSTA (Doutor(a) - Centro Cultural Ikuiapa-Cuiabá/Museu do Índio-RJ), EDSON HELY SILVA (Doutor(a) - UFPE), GIOVANI JOSÉ DA SILVA (Pós Doutor(a) - Universidade Federal do Amapá)
Resumo: Este Simpósio Temático objetiva dar visibilidade às pesquisas em torno das questões indígenas, relacionadas à utilização de fontes orais e que enfoquem prioritariamente o papel desempenhado por índios enquanto sujeitos históricos. Em anos recentes, a temática indígena (e suas relações com as fontes orais) tem ocupado um espaço cada vez maior entre historiadores, além de pesquisadores de outras áreas do conhecimento (Antropologia, Educação, Linguística, etc.). Assim, o Simpósio “Questões Indígenas e Fontes Orais” está aberto, em princípio, a todos os recortes temáticos compatíveis com a história dos índios, com enfoque especial no uso metodológico das fontes orais. Dar-se-á prioridade a trabalhos que apresentem pesquisas originais e enfoques inovadores sobre o papel de lideranças indígenas nos séculos XX e XXI; a articulação de movimentos indígenas e indigenistas; Educação Escolar Indígena; linguística indígena; as relações entre índios e outros grupos sociais nas mobilizações por direitos; os usos das fontes orais nas pesquisas com populações indígenas. A seleção de trabalhos levará em conta a originalidade das abordagens, a densidade da pesquisa e o diálogo com a bibliografia pertinente e atualizada.

Programação


27/04 - Terça-feira - Tarde (14h às 15h 45min)
  • Witembergue Gomes Zaparoli
    A Tradição Oral Apinayé: memórias como heranças educativas
    Este trabalho tem por objetivo analisar e descrever as narrativas e histórias dos anciões da aldeia São José - TO. A investigação – A tradição oral Apinayé: memórias como heranças educativas – foi desenvolvida como pesquisa de campo, com base nos dados do cotidiano da comunidade. Fundamenta-se em uma análise e descrição dos aspectos de natureza sócio-histórica e cultural presentes na fala dos anciões do grupo, por isso utiliza como técnica a oralidade. O cotidiano, bem como o contexto sócio-cultural da comunidade Apinayé, foi descrito em uma perspectiva etnográfica. A realização desse tipo de pesquisa demanda observação, que se caracteriza por estudar padrões de comportamento manifestos rotineiramente, em uma descrição/narrativa do cotidiano e dos personagens sociais do espaço. Assim, a pesquisa busca responder aos interesses e compreender como as transmissões orais de tradições e heranças Apinayé ccontribui para o processo de ensino informal/formal dentro da Aldeia São José. A autonomia das escolas indígenas vai ao encontro das expectativas dos índios, conforme Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (Brasil, MEC/SEF,1998), visto como possibilidade pedagógica a serviço da reconstrução dos valores transmitidos pela oralidade dos mais velhos.
  • Helder Alexandre Medeiros de Macedo
    CABOCLAS BRABAS: HISTÓRIA INDÍGENA DO SERTÃO DO SERIDÓ POR MEIO DAS MEMÓRIAS DE SEUS MORADORES
    O trabalho examina a história do sertão do Rio Grande do Norte, no período posterior às Guerras dos Bárbaros (1683-1725), focando suas atenções em como narradores da contemporaneidade descrevem e/ou narram o seu passado colonial. Os moradores do Seridó, nos dias de hoje, remetem ao passado nativo reportando-se à presença indígena feminina personificada na figura da “cabocla braba pega a dente de cachorro e casco de cavalo”, evidência da domesticação e do processo de “amansamento” perpetrado pelos conquistadores no sertão. A pesquisa problematizou a idéia do “desaparecimento” indígena na historiografia clássica potiguar, à medida que avançou pelas memórias colhidas com moradores de cidades do Seridó, a partir de entrevistas semi-elaboradas, cujas diretivas foram orientadas pelos pressupostos teóricos discutidos, principalmente, por Maurice Halbwachs, Michael Pollak e Julie Antoinette Cavignac. As narrativas colhidas levaram-nos a conhecer um passado do sertão que somente repousa na superfície da memória individual de alguns de seus habitantes e que foi, de certa maneira, negado pela historiografia clássica. Passado que se contrapõe à história oficial e põe em evidência o peso da colonização sobre os povos nativos e seus descendentes.
    DownloadDownload do Trabalho
  • Vânia Maria Losada Moreira
    Disputando o passado e o presente: história, memória territorialidade tupiniquim
    A comunicação apresenta os resultados de uma pesquisa em andamento sobre a importância da história e da memória comunitária (etno-história) no processo de manutenção/constituição da territorialidade tupiniquim no Espírito Santo. Para tanto, são problematizados dados oriundos de entrevistas, de arquivos e da historiografia regional com o objetivo de salientar a cisões e disputas existentes na memória, relacionando-as aos processos de territorialização e desterritorialização dos índios.
  • Rubens de Morais Silva
    Memórias Herdadas no Uso de Plantas Medicinais
    Neste artigo tenho como objetivo interpretar experiências de um grupo familiar que faz suas memórias a partir de histórias sobre o uso de plantas para uso terapêutico. Com narrativas orais e outras fontes por mim selecionadas neste estudo, procuro interpretar tais saberes e práticas, usando o sentido que eles e elas dão a estas experiências de vida acontecidas em seus processos migratórios entre Bonbfinópolis de Minas (MG) e Brasília (DF).
    DownloadDownload do Trabalho

28/04 - Quarta-feira - Tarde (14h às 15h 45min)
  • Edson Hely Silva
    Índios Xukuru: por uma história socioambiental em 1930
    ÍNDIOS XUKURU: POR UMA HISTÓRIA SOCIOAMBIENTAL EM 1930
    Edson Silva
    UFPE
    edson.edsilva1@gmail.com

    No início da Década de 1930, ocorreram vários debates públicos e oficiais sobre a higiene e o saneamento no município de Pesqueira (Pernambuco). Debates esses que estavam intrinsecamente relacionados às questões e condições ambientais, pois diziam respeito à qualidade, o tratamento e o cuidado com as águas, cujas fontes e armazenamento estavam na Serra do Ororubá, em terras dos índios Xukuru tradicionalmente invadidas por fazendeiros, muitos deles membros da oligarquia política regional. A partir de pesquisas em jornais publicados na época, e ainda por meio de entrevistas com idosos/as Xukuru, recorremos às memórias orais indígenas para conhecermos e melhor compreendermos as questões de saúde, as doenças e as condições de vida indígena no citado período. Com esse estudo, queremos também a partir de uma outra abordagem, estabelecer as relações entre grupos humanos e a condições de vida no espaço onde habitam. Ou seja, contribuir para uma história socioambiental, elaborada a partir de um olhar que investigue as relações de poder, privilegiando grupos socialmente excluídos e suas interações com o ambiente.
    Palavras-chave: índios; Xukuru; disputas; ambiente.

  • Edwin Reesink
    Memorias Lakondê: trajetória de vida e morte dos Lakondê.
    Este trabalho discute a trajetória de vida da última pessoa que se sente como a última índia Lakondê legítima. Suas memórias mostram o ocaso de um povo e sua cultura: a última aldeia Lakondê foi desfeito nos anos 50 do século passado e desde então membros deste povo morreram e se dispersaram. As memórias da Dona Tereza também permitem registrar dados etnográficos sobre um povo do conjunto dos povos nambikwara do norte cuja cultura, exceto dos Mamaindê, é praticamente desconhecido.
  • Giovani José da Silva
    Narrativas indígenas em fronteiras: história e política entre os Chiquitano de Mato Grosso do Sul
    A comunicação tem como objeto de estudo a presença histórica de indígenas oriundos da Chiquitania e que hoje habitam a periferia de Corumbá, Estado de Mato Grosso do Sul, fronteira entre Brasil e Bolívia. A análise da presença de populações indígenas em fronteiras permite verificar que os processos socioeconômicos, políticos e culturais, designados em conjunto por globalização, são complexos e provocam impactos nas práticas culturais e identidades de diversas sociedades indígenas. Particularmente, analisa-se a situação dos indígenas Kamba, autodenominados Camba-Chiquitano, que figuram na relação das etnias que vivem em Mato Grosso do Sul, embora existam poucos estudos que se refiram ao grupo. Desqualificados regionalmente como “índios sem terra”, “bolivianos” ou “bugres”, o que chama a atenção é que se discute muito, até hoje, se eles são, de fato, indígenas. A trajetória histórica dos primeiros Kamba que chegaram a Corumbá, a partir do início da segunda metade do século XX, e de seus atuais remanescentes, tanto do lado brasileiro como do lado boliviano, ainda é, em grande parte, desconhecida pela população regional e pelo próprio universo acadêmico! Desvendar parte desse passado, por meio das narrativas indígenas, é o desafio a que se propõe o autor da comunicação ora proposta.
    DownloadDownload do Trabalho

29/04 - Quinta-feira - Tarde (14h às às 15h 45min)
  • MARILIA DE NAZARE FERREIRA SILVA
    Narrativas Orais em Parkatêjê: caracterização e descrição
    Os povos indígenas brasileiros são povos de uma robusta tradição de narrativas orais e o povo indígena Parkatêjê, que vive no sudeste do estado do Pará, não foge a essa regra. As histórias míticas, culturais, autobiográficas e cotidianas desse povo são repassadas de geração a geração pelo contar. De uma forma geral, os indivíduos mais velhos são aqueles que detêm maior conhecimento. Recentemente, o contexto mais familiar para a transmissão dessas histórias vem sendo drasticamente reduzido na comunidade indígena Parkatêjê devido principalmente ao advento da televisão (e dos dvds), uma vez que essas atividades disputam o mesmo horário. Neste trabalho, examinarei os mecanismos estilísticos que definem uma narrativa mítica em Parkatêjê, observando o uso particular de um conjunto de marcadores de tempo, aspecto e modo que caracteriza tais narrativas; os diálogos; o conjunto de partículas evidenciais; bem como a utilização de ideofones para mostrar o que tenho chamado de “sonoplastia da narrativa”. Além disso, essas histórias se caracterizam por apresentar uma fórmula introdutória, uma estrutura temática organizada em episódios. Os dados analisados são oriundos de minhas viagens de campo, iniciadas em janeiro do ano de 2000 e que desde então têm ocorrido pelo menos uma vez por ano.
  • Anna Maria Ribeiro Fernandes Moreira da Costa
    O homem algodão: uma etno-história nambiquara
    Para apreender a história recente dos Nambiquara do Cerrado, a questão que se coloca é: dentre aatantas e tantas histórias ouvidas, quais aquelas que devem ser selecionadas para dar entendimento às práticas cotidianas adotadas pelos Nambiquara na ocupação de seu atual território? Desse modo, outros questionamentos também são formulados: como se constitui atualmente a prática cotidiana dos índios em seu território após a demarcação da então denominada Terra Indígena Nambiquara, em 1968? Qual a interferência da população não indígena nas "artes de fazer" dessa sociedade? A reorganização do território Nambiquara, deflagrada pela demaracação, conservou as relações dos índios com os lugares míticos? Qual a importância da atuação e eficácia do discurso do pajé para a construção do mundo Nambiquara? De posse dessas questões, este estudo se propõe a apresentar a história recente dos grupos Nambiquara que atualmente habitam a Chapada dos Parecis, localizada na fronteira Oeste de Mato Grosso com a Bolívia, na Amazônia Legal. As práticas cotidianas vivenciadas pelos índios são analisadas com base nas representações que os índios estabelecem entre os espaços visíveis e invisíveis, de acordo com as intervenções do pajé referentes ao sistema simbólico.
  • Léia Teixeira Lacerda
    Os Desafios da Prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis e da Aids entre Professores Indígenas do Pantanal Sul-mato-grossense, Brasil
    A presente comunicação tem por finalidade apresentar os resultados do projeto "Viver nas aldeias com saúde: conhecer e prevenir Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids". Essa iniciativa foi realizada com os discentes do Curso de Formação de Professores Kadiwéu e Kinikinau de Mato Grosso do Sul, no período de novembro de 2003 a fevereiro de 2004, na Reserva Indígena Kadiwéu oferecido pela Escola Municipal Indígena "Ejiwajegi" – Pólo e Extensões, vinculada à Prefeitura Municipal de Porto Murtinho. A participação nesse projeto, bem como as reflexões dele decorrentes, nos possibilitou conhecer as concepções dessas sociedades indígenas a respeito de corpo e sexualidade; saúde e doença; prevenção, tratamento e comunidade; contribuindo, dessa forma, para o aprimoramento das políticas públicas destinadas a essa população. Para analisar o projeto mencionado, recorremos a fontes do início do século XX, pois foi a partir da criação do Serviço de Proteção aos Índios e Localização de Trabalhadores Nacionais (SPILTN, posteriormente Serviço de Proteção aos Índios – SPI), em 1910, que se iniciaram as experiências sistemáticas de escolarização dos grupos indígenas do país. A pesquisa foi desenvolvida por meio de fontes diversificadas – escritas, iconográficas e orais.
    DownloadDownload do Trabalho
Dype Soluções